Educadores a beira de um colapso na pandemia
Aula pelo sistema. Aula no youtube. Aula por whatsapp. Aula gravada. Aula ao vivo. Aula na plataforma virtual. Prepara o roteiro. Prepara o Power Point. Lê a BNCC. Planeja a aula. Olha o código da habilidade, pra confirmar se tá certo mesmo. Elabora a atividade, nem longa demais, nem resumida demais. Contextualiza o enunciado. Não pode ser difícil, se não eles não conseguem fazer. Não pode ser fácil, se não eles não serão desafiados. Procura um vídeo adequado para encaixar na aula, nem longo demais nem curto demais. E jogos educativos relacionados ao tema. Ah, uma música também. Grava a aula. Pera, o carro do gás passou na hora, atrapalhou. Grava de novo. Descreve e explica a atividade no portal. Registra a aula. Faz o relatório. Faz a ficha de frequência. Baixa o app pra montagem das fotos ficar bonita. "Boa tarde crianças". "Liga a câmera por favor"."Desligue o microfone por favor". "Parem de conversar no chat por favor". Confere quem tá na aula. Manda mensagem pra quem faltou. Olha a plataforma, tem atividade pra conferir. Posta um livro, precisa estimular a leitura. Esse não, é simples demais. Esse também não, longo demais. Compra ring light. Compra tripé. Compra quadro. Formata o notebook. Aumenta a velocidade da internet. "Todo mundo faz silêncio, vou começar minha aula!". Vou arrumar o cabelo e trocar de roupa pra não ficar com cara de doente. Baixa o app do scanner. Compartilha tela. A Net caiu. "Professor, o senhor tá bugado". Recebo o recado: 'manda o professor comprar um microfone que parece que ele tá falando dentro de uma lata'. Última aula do dia. Ufa! Vou desligar tudo agora! Não, pera, tem reunião pedagógica. Assista a live. Faça o curso de formação on LINE. Tem que se capacitar. "Novos desafios, novas possibilidades". Caramba, meia noite já! Vou dormir em paz. Sonho que o celular caiu e quebrou. Acordo desesperado. Penso no que tem pra fazer amanhã. Perco o sono. O dia amanheceu. Começa tudo de novo.

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